Lideranças buscam recursos emergenciais para retomada de voos no Vale do Aço

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DEZENAS de autoridades atenderam o convite do prefeito de Ipatinga, Nardyello Rocha, para a mobilização regional em torno de medidas para solucionar o problema

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CRÉDITO: SECOM-PMI

Intervenção de urgência deve ser executada em dez dias, prevê o DEER-MG

Liberados os recursos pelo governo do Estado para uma ação emergencial no Aeroporto Regional do Vale do Aço, a obra deverá ser executada no período máximo de dez dias, pelo DEER-MG – Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais. Estima-se que serão necessários de dois a três dias para mobilização de equipamentos e pessoal e mais uma semana para execução dos trabalhos, com jornadas diárias de 10 a 11 horas. A ação será mais um paliativo para a retomada dos voos comerciais no local, mas vai ser adotada imediatamente após a alocação financeira, como forma de apressar a solução para os deslocamentos aéreos interrompidos “por tempo indeterminado” desde quinta-feira (14), pela companhia Azul, em função de problemas de segurança verificados na pista.

A deliberação acerca do impasse foi tomada em conjunto por um amplo grupo de autoridades e lideranças da região reunido nesta sexta-feira (15), no quarto andar da Prefeitura de Ipatinga, atendendo a convite feito pelo prefeito Nardyello Rocha para definição de medidas de urgência em relação ao problema.

O encontro foi prestigiado por inúmeros empresários, prefeitos das quatro cidades-polo da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), representantes de organismos ligados ao turismo, comércio e indústria, bombeiros, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Militar, sindicatos, executivos das principais empresas-âncoras da região (Usiminas, Cenibra e Aperam), Assembleia Legislativa e Câmara Federal, entre outros, além da Socicam, empresa que atua na administração do aeroporto por meio de contrato de prestação de serviços.

“Temos, sim, expressivas e atuantes representações políticas, haja vista o exemplo concreto desta reunião aqui hoje. O impedimento de avançarmos em várias áreas decorre da fragmentação, da dificuldade que temos, muitas vezes, de nos unirmos em prol de uma série de interesses coletivos que são comuns”, ponderou o prefeito de Ipatinga, entendendo como produtivas as decisões tiradas do encontro.

Obra emergencial

De acordo com um levantamento preliminar – e não-oficial – feito pelo coordenador regional do DEER-MG, Nívio Pinto de Lima, a correção de ondulações na pista do aeroporto, com fresagem, recomposição de alguns pontos mais danificados e frágeis, demanda recursos da ordem de R$ 400 mil, dotação que deve ser destinada pela Setop – Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas. Uma reunião de autoridades regionais com o titular da pasta, Marco Aurélio Barcelos, foi agendada para as 17h desta sexta, em Belo Horizonte.

O diretor da Usina Intendente Câmara, Roberto Maia, informou que a reforma empreendida pela siderúrgica no aeroporto, em 2011, demandou recursos de cerca de R$ 6,5 milhões. Na ocasião, havia ameaça de intervenção no local pela ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil. Uma intervenção menor, na cabeceira da pista, foi feita em 2014. A Usiminas administrou o aeroporto até 2016, quando a responsabilidade pelo espaço foi transferida ao Estado em função de dificuldades financeiras na siderúrgica.

O coordenador regional do DEER ainda informou que, desde 2015, mais três intervenções paliativas foram executadas no local. “E é preciso ter claro que a ação emergencial que agora será adotada terá durabilidade de no máximo seis meses”, adiantou.

O presidente da FIEMG Regional Vale do Aço, Flaviano Gaggiato, disse que o problema do aeroporto vem sendo tratado pela Agenda de Convergência da entidade desde abril de 2018. Um projeto macro de recuperação do terminal aeroviário estaria estimado em cerca de R$ 8,7 milhões.

Parceria Público-Privada

A proposta de uma PPP – Parceria Público-Privada para o aeroporto feita pelo Estado, com previsão de construção de uma nova sala de embarque, estacionamentos, terminal de carga e hangares, entre outros equipamentos, foi reprovada preliminarmente pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais. A Infraero Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, vinculada ao Ministério da Infraestrutura, também teria sido sondada para assumir o aeroporto, mas alegou custo muito elevado. PPP’s em nível nacional também estão sendo ventiladas agora.

Como representante da principal cidade-polo do Vale do Aço – embora o aeroporto esteja nos limites do vizinho município de Santana do Paraíso –, o prefeito de Ipatinga, Nardyello Rocha, sugeriu durante a reunião que a solução definitiva para o terminal seja tratada num segundo momento, em prol de encaminhamentos mais objetivos para solucionar a situação emergencial, e teve sua proposta acatada.

Procurando avançar no assunto PPP, um grupo de trabalho do Vale do Aço, constituído basicamente por cinco prefeitos (Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo, Santana do Paraíso e uma quinta cidade da região), deverá ter agenda com o governador do Estado, Romeu Zema, na próxima semana. Em média, um processo de licitação para obra de maior porte num aeroporto como o regional do Vale do Aço demandaria uma espera de cerca de seis meses.

‘Voe Minas’

A representante da empresa Socicam presente à reunião sugeriu que enquanto as obras emergenciais de recuperação do aeroporto regional sejam executadas as aeronaves do ‘Voe Minas’, que atende o Vale do Aço atualmente com três voos semanais, continuem utilizando um espaço de 1,3 km da pista, que tem uma extensão de 2 km. Houve ainda, durante a reunião, a proposta de ampliação dos voos, como forma de estabelecer concorrência com a Azul, a única empresa comercial que atua no local hoje e pratica preços considerados exorbitantes. Contudo, estas deliberações ainda deverão avançar em discussões posteriores.

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