A artesã Maria de Fátima Medeiros de Oliveira, de Ipatinga, no Vale do Aço, foi uma das 65 pessoas premiadas em todo o estado de Minas Gerais no Edital PNAB 02/2024 – Raízes de Minas, iniciativa da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura voltada ao reconhecimento de trajetórias culturais.
Crochetista autodidata e atuante no setor do artesanato e da moda, Fátima teve sua trajetória reconhecida pela proposta “Trajetória – Maria de Fátima Medeiros”, que ficou na 28ª colocação geral, com nota 83, entre dezenas de inscrições avaliadas em todo o estado.
Na região do Vale do Aço e entorno, a concorrência também foi significativa. Ao todo, 12 pessoas se inscreveram nessa categoria, mas apenas cinco foram contempladas, o que evidencia a relevância da conquista da artesã ipatinguense.
Uma vida dedicada ao artesanato
Hoje com 64 anos, Maria de Fátima aprendeu a tecer ainda jovem e construiu uma trajetória de aproximadamente 35 anos dedicados ao artesanato. Ao longo desse tempo, desenvolveu habilidades em diferentes técnicas do fazer manual, transformando o trabalho artesanal em forma de expressão cultural e também em fonte de renda.
Entre suas principais técnicas estão o crochê, a pintura em tecido e a produção de peças artesanais como panos de prato, jogos de cozinha e itens decorativos. Fátima também domina o vagonite, técnica tradicional de bordado bastante popular no artesanato doméstico.
Originado no século XVIII, o vagonite é um tipo de bordado caracterizado por padrões geométricos em relevo feitos na superfície do tecido, sem avesso aparente. A técnica é conhecida por sua execução rápida e versátil, sendo amplamente utilizada para decorar panos de prato, toalhas e barrados, além de ser muito difundida entre artesãs iniciantes e experientes.
Reconhecimento fortalece continuidade do trabalho
Mesmo sendo autodidata, Fátima construiu sua trajetória a partir da prática cotidiana e do aprendizado transmitido entre gerações de artesãs. Ela também possui a Carteira Nacional do Artesão, vinculada ao Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) e registrada no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB), reconhecimento oficial concedido a profissionais do setor em todo o país.
A premiação faz parte da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), política pública do Governo Federal executada em Minas Gerais pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo. Diferentemente de editais voltados para projetos, o Edital Raízes de Minas reconhece trajetórias culturais, valorizando profissionais que dedicaram anos à produção artística, cultural e artesanal.
Para Fátima, o reconhecimento representa mais do que um prêmio: é também um incentivo para continuar produzindo e mantendo viva a tradição do artesanato.
Em um contexto em que muitos artesãos trabalham de forma independente e com pouca visibilidade institucional, políticas públicas como a PNAB ajudam a garantir que esses saberes tradicionais continuem existindo e sendo transmitidos.
Entre fios, agulhas, tintas e bordados, Maria de Fátima Medeiros de Oliveira segue tecendo sua história, agora reconhecida entre as trajetórias do artesanato e da moda em Minas Gerais.












