Profissionais da saúde relatam como viveram os dois lados da Covid-19 

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“O risco existe, mas nós que abraçamos e gostamos da profissão estamos dispostos a enfrentar essa dura batalha contra a Covid-19, qualquer que seja a circunstância. Eu vivi os dois lados e a tensão é inevitável”. A declaração é de Raquel Carvalho, técnica de enfermagem do Hospital Municipal Eliane Martins (HMEM), que retorna à linha de frente do combate ao vírus após ser infectada e cumprir o período de quarentena. 

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O isolamento ainda amedronta grande parte das pessoas infectadas com o novo Coronavírus. E no caso de Raquel, mesmo sendo uma profissional da área de saúde, não foi diferente. “A verdade é que estar do outro lado da doença é assustador. No nosso caso, sempre nos resguardamos ao máximo. Porém, é um risco que corremos diariamente devido ao potencial de transmissão dessa pandemia. Felizmente não precisei ser hospitalizada, mas os 14 dias de quarentena só não foram de solidão extrema graças aos meus companheiros de trabalho, que me enviaram várias mensagens de apoio durante esse período”, contou.

A também técnica em enfermagem do HMEM, Edneia Santos, recorda que testou positivo em 3 de junho e permaneceu em observação por três dias. A situação se revelou perturbadora. “Comecei a ter sintomas de gripe há algum tempo, mas como já tenho uma sinusite crônica, não achei que estivesse infectada. Porém, no dia 3, comecei a sentir falta de ar e, após procurar opinião profissional, fiz o teste. O diagnóstico foi positivo. Precisei ficar internada até o dia 6, e agora estou cumprindo o período de quarentena. Espero poder voltar em breve para ajudar a combater esse vírus, porque para nós que nos acostumamos a tratar doentes, não é fácil passar à condição de paciente”, relatou.

Riscos

É importante salientar que mesmo com o uso regular de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e constante higienização, os profissionais da saúde estão em contato direto com portadores do vírus nos ambientes de serviço e, portanto, a chance de serem infectados é consideravelmente maior.

A infectologista do município, Carmelinda Lobato, destaca “a garra de todos que estão na linha de frente no combate ao Coronavírus” e reitera a importância do distanciamento social como medida preventiva contra o agravamento do quadro da doença. 

“Devo manifestar meu agradecimento e admiração por todos os nossos profissionais, que são guerreiros e não poupam esforços. Para aqueles que foram infectados e estão conseguindo voltar após contrair o vírus, a sensação é de extrema alegria, e àqueles que ainda cumprem quarentena peço que continuem fortes e esperançosos. Em um ambiente hospitalar, apesar do uso de EPI’s e higienização constante das mãos, o risco de adquirir a Covid é notório. Por isso ressalto a coragem de cada um que continua exercendo a profissão e ajudando nesta batalha. E que sirva de exemplo para aqueles que ainda contestam o distanciamento social, pois ainda é a principal medida para conter a pandemia. Precisamos frear o avanço do Coronavírus até mesmo para poupar nossos profissionais, que estão sobrecarregados e adoecendo. Para isso, peço encarecidamente a todos aqueles que podem, e principalmente aos grupos de risco, que fiquem em suas casas”, apela.

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