Documentário resgata legado da colônia japonesa em Ipatinga e emociona público durante sessão comentada

Kikuko Inoue (à direita), uma das mulheres mais longevas da comunidade nipo-brasileira local, e sua filha Yoshiko Honda Inoue, durante gravação de Um Japão nas Entrelinhas, que celebra o legado japonês na história da cidade  Fotos: Rodrigo Zeferino
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“Um Japão nas Entrelinhas”, exibido no último sábado (24), celebra a presença nipo-brasileira na cidade e abre circuito educativo nas escolas públicas

Fotos: Rodrigo Zeferino

IPATINGA — Com sala cheia, depoimentos emocionados e reflexões sobre pertencimento, foi exibido no último sábado (24), em sessão comentada, o documentário Um Japão nas Entrelinhas. A apresentação fez parte das comemorações do Dia da Comunidade Japonesa de Ipatinga e aconteceu na sede da Associação Nipo-Brasileira de Ipatinga (ANBI), no bairro Cariru. A entrada foi gratuita e a programação incluiu oficinas e apresentações culturais.

Dirigido por Sávio Tarso e codirigido por Nilmar Lage, o filme narra a trajetória da colônia japonesa na cidade, destacando como esse legado se entrelaça à formação econômica, social e cultural de Ipatinga. “A colônia japonesa é parte da espinha dorsal da história de Ipatinga. Essa ideia nos acompanhava desde o projeto dos 50 anos da cidade. Agora, com os 60 anos da colônia, sentimos ainda mais necessidade de contar essa história”, afirmou o diretor durante a conversa com o público após a sessão.

Fotos: Rodrigo Zeferino

A produção, assinada pela Fino Trato, entrelaça entrevistas, arquivos e cenas do cotidiano para revelar como práticas como o cultivo de hortas, a disciplina e os hábitos alimentares passaram a fazer parte da vida ipatinguense por influência direta dos imigrantes.

“Aprendemos com eles a valorizar o que antes era comum e invisível nas roças: couve-flor, brócolis, pepino, gengibre, batata-doce. Hoje isso está nas nossas cozinhas. Foi um aprendizado para a vida toda”, contou Maria Antônia, uma das entrevistados no filme que trabalha há mais de dez anos para japoneses.

Nilmar Lage e Sávio de Tarso, no lançamento – divulgação/Lucas Ornelas

A sessão também teve momentos de forte emoção, especialmente entre familiares de pioneiros. “É bacana ver minha mãe dando depoimento. Resgatou lembranças do meu pai. Eu me emocionei com a forma como o filme conectou o passado com o presente”, afirmou Jorge Taniguchi.

A proposta de aproximar gerações foi outro destaque do projeto. “A juventude conhece o Japão pelos animes e mangás, mas não a história real da colônia japonesa em Ipatinga. O documentário mostra que há uma história escondida, profunda, que precisa ser contada”, destacou o historiador Pedro Watanabe, ao mencionar o monumento de Tomie Ohtake como exemplo de patrimônio pouco reconhecido.

Tsuya Tahara toca o shamisen, um tradicional instrumento de cordas japonês. A cena, registrada por Rodrigo Zeferino, integra o documentário Um Japão nas Entrelinhas e simboliza a presença viva da cultura nipo-brasileira em Ipatinga  Fotos: Rodrigo Zeferino

ALEGRIA

Kei Kitahara (Tahara), filha de Tsuya Tahara, que faleceu algumas semanas após ser entrevistada para o documentário, disse que se emocionou ao ver sua mãe retratada em um filme que captou de forma sensível a sua alegria de viver.

Segundo Nilmar Lage, a sessão comentada reforçou a dimensão pedagógica do projeto. “Ipatinga é uma cidade construída por muitas culturas. O filme provoca perguntas: de onde viemos? O que ainda carregamos conosco? Como honrar essas histórias?”

O engenheiro Mário Taniguchi, descendente de japoneses, destacou a relevância do filme como instrumento educativo e de preservação da memória: “A importância histórico-cultural, assim, acrescenta muito dentro dos depoimentos que os próprios participantes do vídeo fizeram. Mostra como a cultura permeia a vida de cada um e oferece a chance de conhecer melhor essa história. É um momento importante de aprendizado e de construção de um legado”, afirmou.

Com recursos da Lei Paulo Gustavo e apoio da Prefeitura de Ipatinga, o documentário segue agora para um circuito de exibições em dez escolas da rede municipal, promovendo debates sobre memória, diversidade e identidade cultural.

Maria Antônia, moradora de Ipatinga, durante gravação ao lado da escultura de Tomie Ohtake, que ganha destaque como presença invisível da cultura japonesa no cotidiano da cidade

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