Ipatinga – O Grupo de Teatro Farroupilha, referência nas artes cênicas do Vale do Aço, estreia o espetáculo “Circo Farrapos”. A temporada começa na segunda-feira (23) e segue até sexta-feira (27), na Estação Memória, no Centro de Ipatinga. Nos dias 23 e 27, as apresentações serão às 10h; de 24 a 26, às 14h. A classificação é livre e a entrada é gratuita. A realização é do Ponto de Cultura Grupo de Teatro Farroupilha, com patrocínio da Prefeitura de Ipatinga, por meio de emenda impositiva parlamentar vinculada ao projeto Teatro Nosso de Cada Dia (Termo de Fomento 237/2024).
A estreia ocorre em um espaço simbólico: a Estação Memória, local tombado como patrimônio cultural. O próprio grupo integra o inventário de patrimônio cultural da cidade, o que reforça a relação entre sua trajetória artística e a construção da identidade cultural de Ipatinga. A temporada propõe, assim, um encontro entre memória e criação em um território que também faz parte da história do coletivo. A circulação conta ainda com mobilização parcerias locais, como a Escola Estadual Manoel Izídio, fortalecendo a formação de público e o diálogo entre arte e educação.
Circo Farrapos
Espetáculo de palhaçaria, Circo Farrapos aborda a permanência de um grupo teatral ao longo do tempo. A montagem parte da linguagem do teatro de rua — marca do Farroupilha desde sua fundação, em 1995 — para refletir sobre resistência, transformação e reinvenção. Em cena, dois palhaços atravessam memórias, cidades e diferentes tempos, revelando, com humor, a potência da criação coletiva.
Os artistas assumem em cena corpos maduros que carregam décadas de experiência e transformam essa vivência em linguagem estética. “Mais do que virtuosismo físico, apostamos na consciência de presença, na escuta e na comicidade construída a partir do tempo vivido. É uma releitura do percurso do grupo, reunindo camadas de teatro de rua, circo, formação de atores e práticas coletivas que marcaram nossa história”, afirma Didi Peres, intérprete do palhaço Porfírio Ximbica e integrante do Farroupilha.
Para Claudiane Dias, intérprete da palhaça Cacacreuza e uma das fundadoras do grupo, o espetáculo reafirma a arte como ação vital e coletiva. “A palhaçaria é um lugar de coragem. Estar em cena é afirmar que a arte precisa existir, ser fomentada e ocupar a cidade. Acredito nas políticas públicas, na formação e na permanência dos grupos. A comicidade também é militância: rimos, criamos e seguimos vivos em cena”, destaca.
Processo criativo
O espetáculo nasce do projeto Teatro Nosso de Cada Dia, que reuniu pesquisa, formação e encontros com a diretora Gyuliana Duarte, artista do Vale do Aço radicada em Belo Horizonte e referência em palhaçaria teatral. O processo incluiu oficinas, trocas e experimentações que resultaram em dramaturgia e trilha sonora originais, articulando o núcleo de palhaçaria e o repertório acumulado pelo grupo.
A parceria com a diretora remonta à década de 90. “A relação entre o Farroupilha e Gyuliana é antiga. Ela já colaborou em formações e direções, consolidando um diálogo contínuo de pesquisa em palhaçaria. Em Circo Farrapos, essa parceria se renova ao revisitar nossa história a partir do presente”, completa Claudiane Dias.
31 anos de trajetória
Fundado em 1995, o Grupo de Teatro Farroupilha desenvolve trabalhos em teatro de rua, circo, performances, intervenções urbanas e formação artística no Vale do Aço. Ao longo de 31 anos, o coletivo contribuiu para a construção de políticas públicas culturais em Ipatinga e para o fortalecimento do teatro de grupo em Minas Gerais, mantendo a criação como prática contínua.
A atuação formativa marcou gerações de artistas, com oficinas de palhaçaria, acrobacias, pernas de pau e práticas circenses voltadas a crianças, jovens, adultos e pessoas com mais de 60 anos. O grupo também participou de processos que contribuíram para a consolidação da Escola Municipal de Artes Cênicas Antônio Roberto Guarnieri, tendo sua sede como espaço de atividades e preservação de acervo. Ao revisitar sua própria história, Circo Farrapos reafirma a permanência como gesto artístico e político, dialogando com as transformações culturais da cidade e destacando a comicidade como linguagem de reflexão e presença.
Equipe
Circo Farrapos tem como intérpretes Didi Peres (palhaço Porfírio Ximbica) e Claudiane Dias (palhaça Cacacreuza). Dramaturgia, direção e roteiro: Gyuliana Duarte. Trilha sonora, composição e execução e operador de som: Leandro Cortezão. Contra-regras de Déborah Braga. Cenografia e adereços de Rômulo Amaral e apoio da Catavento Cultural. Figurinos: Sérgio Coelho e Rômulo Amaral. Costureiras Cida Santos, Sérgio Coelho e Denise. Cenotecnia e colaboração: Hérlon Duarte e Wellington de Gardene. Produção de Claudiane Dias com assistente de produção de Joaquim Dias e Fran Silvestre. Coordenação geral de Fran Silvestre e Jefferson Ornelas e acompanhamento financeiro de Jefferson Ornelas. Contador e mediação pedagógica de Adilson Mariano. Audiovisual e registros: Dinin Filmes. Comunicação e social media: Rolê Cultura; Joaquim Dias; Dinim Filmes. Design gráfico, fotografias e social media: Teuller Morais (Galeria Olho) e assessoria de imprensa de Rômulo Amaral.
Serviço
Espetáculo: Circo Farrapos
Grupo de Teatro Farroupilha
Local: Estação Memória – Centro de Ipatinga
Datas: 23 e 27 de fevereiro, às 10h; 24, 25 e 26 de fevereiro, às 14h
Classificação: Livre
Entrada: Gratuita












