Lugar de aluno é na escola: especialistas debatem fatores que referendam volta às aulas

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Às vésperas da retomada das atividades na rede municipal de ensino, prevista para a próxima segunda-feira (10), a Prefeitura de Ipatinga reuniu um grupo de profissionais da saúde e da educação para um debate e reflexões sobre a importância das aulas semipresenciais para os alunos. Participaram da conversa o neuropediatra Marcone Oliveira, a infectologista Carmelinda Lobato, a profissional de educação Patrícia Pereira e, também, Luciana Araújo, mãe de um aluno da rede municipal.

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Vários assuntos relevantes foram abordados, como as condições de segurança nas escolas do município quanto a normas de proteção imunológica contra a Covid-19, o aspecto psicológico dos alunos sem as aulas presenciais, dentre outros.

“A criança, principalmente na educação, aprende com o protagonismo, algo que não é possível com as aulas remotas. Com o formato presencial, a criança desenvolve dentre outras coisas sua capacidade cognitiva”, ponderou o neuropediatra Marcone Oliveira logo na primeira questão colocada para o bate-papo.

A diretora da Escola Municipal João Amparo Damasceno, do bairro Vila Celeste, Patrícia Pereira, também argumentou sobre a importância do ensino presencial para os alunos: “Com a aula remota, fato é que, por mais que as equipes técnicas e os pais estejam empenhados, as crianças não realizam todas as atividades que são propostas. Para nós, profissionais da educação, está claro após meses de experiência que a participação se torna bem maior na aula presencial”, disse.

Circulação do vírus

Já é comprovado cientificamente, por meio de estudos, que as crianças podem, sim, contrair e repassar o vírus, mas em escala menor que a de um adulto. Diante dessa evidência, a médica infectologista do município, Carmelinda Lobato, enfatizou: “Com esses dados, as aulas presenciais devem retornar para que os alunos não sejam sacrificados”. 

“Todos nós já sabemos, e está comprovado, que o prejuízo maior está no fato da criança estar fora da escola, pois ela se expõe muito mais. Existe a comprovação científica de que crianças adoecem menos e se infectam menos. Some-se a isto o fato de que em Ipatinga não registramos nenhum óbito de crianças. Nosso momento epidemiológico está estabilizado e as escolas têm cumprido os protocolos de segurança. Os prejuízos das aulas remotas são muito maiores”, acrescentou. 

Estrutura fortalecida

Para obter indicadores epidemiológicos mais favoráveis, o governo de Ipatinga investiu muito na reestruturação da rede de saúde local, ampliando leitos de UTI, construindo um Hospital de Campanha e inaugurando o Centro Especializado de Atendimento à Covid, além de intensificar a vacinação, entre outras ações. 

Apesar destas providências, as regras sanitárias deverão continuar caracterizadas por forte padrão de rigidez para inibir riscos relacionados com o funcionamento das escolas. O cuidado começa com a higienização dos ônibus de transporte dos alunos; ‘dispensers’ de álcool em pontos estratégicos dos educandários; cartazes com orientações sobre como proceder em tempos de pandemia; tapetes sanitizantes nas entradas; profissionais para recepcionar os alunos e orientá-los desde a chegada até a saída da escola; biombos de madeira e acrílico na hora da merenda, para proteger de contaminações, e a obrigatoriedade de alunos e professores utilizarem os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). 

Ambiente de cuidados

Os esforços são reconhecidos por Luciana Araújo, mãe de um aluno da rede municipal de ensino. Para ela, os perigos maiores estão em outros ambientes frequentados pelas crianças e nem sempre controlados ou monitorados pelos pais. “Além disso – diz ela –, dentro de casa o que vejo é um desinteresse maior pelas atividades, e muitas vezes nós não conseguimos motivá-los. Toda vez que olho para o meu filho penso no quanto ele está perdendo. E, de outro lado, estamos informados de que as escolas estão totalmente preparadas e os protocolos serão rigorosamente cumpridos”, disse. 

O médico Marcone Oliveira também ressaltou o fato de que a interrupção das aulas presenciais pode afetar negativamente o futuro do aluno. “Existe uma fábula de que o que a criança não aprendeu pode ser ensinado futuramente, o que não é verdade. Se a criança é alfabetizada com cinco anos, por exemplo, sua chance de sucesso acadêmico é muito maior. Não adianta eu querer que uma criança aprenda com dez anos o que ela deveria ter aprendido com seis pois não vai acontecer”, observa.

Novo normal 

A conjuntura chamada de “novo normal”, em meio à Covid-19, nada mais é que a proposta de um novo padrão que possa garantir a sobrevivência de cada um.

“Nós, educadores, fomos preparados para ensinar os alunos a se portarem diante do novo normal. Foi feito um protocolo de segurança nas escolas, pois recebemos verbas devido à pandemia e com isso conseguimos nos preparar”, enfatizou Patrícia Pereira.  

Carmelinda Lobato destacou ainda que “no início de 2021, não houve impacto da volta às aulas nos casos de Covid-19”. Para ela, “não há como pré-justificar a pandemia como fator para impedir a volta às aulas neste momento, pois inexiste fundamentação para isso. Não houve qualquer impacto desfavorável quando elas voltaram, no início do ano. Penso sempre na educação dos meus filhos e, para mim, como para a grande maioria dos pais, o ensino remoto não substitui o presencial. Além do mais, haverá um acompanhamento rigoroso da Secretaria Municipal de Saúde”, concluiu.

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