Em audiência, técnicos detalharam a aplicação de recursos, os atendimentos da rede, a vacinação e os indicadores epidemiológicos.
Nesta segunda-feira (28), técnicos da Secretaria de Saúde do município de Ipatinga apresentaram, em audiência pública, a prestação de contas referente ao segundo quadrimestre de 2026. O debate ocorre em cumprimento à legislação e tem como objetivo prestar contas à sociedade e aos vereadores membros da Comissão Permanente de Saúde.
O presidente da Comissão de Saúde, Avelino Cruz, explicou que os números apresentados mostram o tamanho da estrutura necessária para manter a rede em funcionamento e permitem acompanhar desde a aplicação dos recursos públicos até a realização de exames, atendimentos especializados, cobertura vacinal e assistência hospitalar.
“A demanda hoje é maior do que a capacidade de atendimento. Temos um déficit importante no município, especialmente nas internações, porque não há leitos suficientes. Como vereador e presidente da Comissão de Saúde, nosso papel não é estar subordinado à Prefeitura, mas à população que nos elegeu. Ao mesmo tempo, precisamos conhecer tecnicamente a estrutura da saúde para fiscalizar, cobrar investimentos e contribuir para que o serviço público seja prestado com qualidade”, disse o parlamentar.
Conforme os números apresentados, entre maio e agosto, as despesas da Saúde somaram R$ 247,8 milhões. Desse montante, R$ 110,7 milhões tiveram origem municipal, R$ 109,4 milhões vieram da União e R$ 27,8 milhões, do Estado. “Em termos proporcionais, município e governo federal responderam, cada um, por cerca de 44% das despesas, enquanto os recursos estaduais representaram pouco mais de 11%”, disse o diretor do Fundo Municipal de Saúde, Wynston Jhonatas Fernandes.
Segundo Wynston, o relatório aponta aplicação de recursos equivalente a 32,48% no segundo quadrimestre, acima do mínimo constitucional de 15%.
Os dados apresentados à Câmara também ajudam a dimensionar uma característica da saúde pública de Ipatinga: a rede municipal atende pacientes que vêm de fora dos limites da cidade. Em um dos demonstrativos da assistência hospitalar, 596 atendimentos da UPA foram registrados no segundo quadrimestre. Desses, 419, ou 70,3%, eram de moradores de Ipatinga. Os demais vieram de diferentes municípios, entre eles Santana do Paraíso, Ipaba, Dom Cavati, Belo Oriente, Mesquita, Inhapim e Açucena, conforme informou o representante da Secretaria de Saúde, Dr. Magid Lauar.
Mais — Os recursos movimentam uma rede que inclui 21 unidades de saúde e cobertura da Estratégia Saúde da Família também em comunidades rurais, além de equipes de Saúde da Família, Atenção Primária, saúde bucal e equipes multiprofissionais.
Na atenção especializada, a assistência odontológica realizou 85.981 atendimentos no segundo quadrimestre, incluindo procedimentos básicos, especializados e de urgência, além de 4.399 tratamentos concluídos. A produção laboratorial também cresceu, passando de 129.970 exames no primeiro quadrimestre para 138.875 no segundo, um aumento de aproximadamente 6,9%. Já o Saúde na Hora registrou crescimento de 9.434 para 11.502 atendimentos, enquanto a equipe de Atenção Primária Prisional contabilizou 1.749 atendimentos.
Na saúde da mulher, foram realizados 2,6 mil exames preventivos para o câncer do colo do útero e 2.780 mamografias. Mais de mil gestantes são acompanhadas pela rede, sendo 65,4% classificadas como de risco habitual e 34,6% como de alto risco. No período, foram registrados 526 nascimentos.
A cobertura vacinal média passou de 78,39% no primeiro quadrimestre para 80,71% no segundo. Apesar do avanço, várias vacinas permanecem abaixo das metas estabelecidas. A BCG atingiu 92,28%, superando a meta de 90%.
Tuberculose e hanseníase em crescimento — Na vigilância em saúde, foram registrados 22 novos casos de tuberculose, contra 20 no primeiro quadrimestre. Já os casos de hanseníase passaram de um para cinco. O relatório também apontou 34 novos casos de pessoas vivendo com HIV. O Consultório na Rua realizou 1.659 atendimentos relacionados a questões como o uso de álcool e outras drogas, transtornos mentais, tuberculose e IST/Aids.
O presidente da comissão, vereador Avelino Cruz, destacou a importância da transparência e do acesso às informações como instrumentos de fiscalização. Ao comentar os questionamentos dirigidos ao Legislativo sobre a saúde, defendeu que o debate seja feito a partir de documentos e dados oficiais e lembrou que a demanda atendida em Ipatinga não se restringe aos moradores do município.
A prestação de contas quadrimestral permite justamente reunir essas duas dimensões da saúde pública: o dinheiro empregado para sustentar a estrutura e o serviço que chega à população. “Ao tornar públicos receitas, despesas e indicadores de atendimento, a audiência oferece ao Legislativo e à sociedade elementos para acompanhar resultados, identificar desafios e fiscalizar a execução da política municipal de saúde”, finalizou Avelino.
A audiência está disponível no YouTube, por meio do link: https://www.youtube.com/live/













