Síndrome de Burnout é tema de palestra na AAPI

Dr.Rolando Márcio.
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O burnout coloca em evidência uma questão importante: o trabalho faz parte da vida, mas não deve ocupar todos os espaços dela.

O psiquiatra Rolando Márcio realizou palestra no auditório da AAPI sobre a síndrome de burnout, um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho. O evento foi promovido pelo Sindicato dos Propagandistas e Vendedores de Produtos Farmacêuticos do Vale do Aço e contou com a participação de colaboradores da Associação. A abordagem alertou para os riscos à saúde quando o estresse profissional invade a vida pessoal. A dificuldade de se desligar das obrigações profissionais, o cansaço persistente e a pressão por disponibilidade constante acendem um alerta sobre os limites entre trabalho, descanso e saúde mental.

Segundo dados oficiais da Previdência Social e do INSS, os afastamentos por burnout subiram de 823 casos, em 2021, para 7.595, em 2025, o que representa um aumento de aproximadamente 823% no período. Dr. Rolando explicou que “o expediente termina, mas a cabeça continua no trabalho. Mensagens chegam ao celular, tarefas ficam pendentes e as preocupações profissionais acompanham o trabalhador até em casa. Para algumas pessoas, descansar se torna difícil, e a convivência com a família acaba afetada pela sobrecarga do dia a dia”. Segundo ele, o aumento das queixas relacionadas ao trabalho tem chamado a atenção na prática clínica. Durante entrevista sobre o tema, relatou que muitos pacientes passaram a apontar a atividade profissional como sua principal fonte de estresse.

Trabalho sem prazer

O burnout está relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. A Organização Mundial da Saúde o classifica como um fenômeno ocupacional, caracterizado por exaustão, distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Segundo Dr. Rolando Márcio, o esgotamento pode se manifestar tanto na dimensão emocional quanto na física. A pessoa começa a ter dificuldade para se desligar das obrigações profissionais e pode perceber que já não consegue aproveitar o tempo livre como antes.

Na entrevista, o psiquiatra descreveu situações em que o trabalhador chega em casa, mas continua sem condições emocionais de aproveitar a convivência familiar. O trabalho, antes fonte de realização, passa a ser percebido como um peso. “Esse cenário merece atenção especialmente quando o cansaço e a tensão se tornam persistentes e começam a interferir no descanso, nas relações pessoais e na capacidade de realizar as atividades cotidianas”, alerta.

 Sinais

Na palestra, Dr. Rolando Márcio mencionou alterações do sono, dores de cabeça e outros sintomas que podem acompanhar situações de sofrimento e estresse. Esses sinais, porém, não comprovam isoladamente a ocorrência de burnout. Eles podem ter diferentes causas e precisam ser avaliados considerando o histórico, as condições de trabalho e o estado geral de saúde da pessoa.

A persistência dos sintomas, a dificuldade para descansar e a sensação de estar constantemente sob pressão são motivos para procurar orientação profissional, principalmente quando começam a prejudicar a rotina. Também é importante não confundir automaticamente burnout com depressão ou ansiedade. Embora algumas manifestações possam se sobrepor, são condições distintas, e cabe a um profissional de saúde realizar a avaliação adequada.

Home office

Durante entrevista ao Canal AAPI, Dr. Rolando Márcio contou que atendeu pessoas em trabalho remoto que relatavam fazer refeições diante do computador, permanecer disponíveis por longos períodos e sentir que poderiam ser acionadas a qualquer momento. No ambiente presencial, deslocamentos e horários definidos podem ajudar algumas pessoas a perceber o início e o fim da jornada. No trabalho em casa, essa separação pode desaparecer quando não há limites claros para as demandas profissionais.

“O problema não está necessariamente no home office, mas na maneira como o trabalho é organizado. Jornadas prolongadas, pausas insuficientes, excesso de tarefas e a expectativa de disponibilidade permanente podem aumentar a sobrecarga”, alerta o psiquiatra. Para ele, o trabalho remoto também precisa ser acompanhado de condições adequadas, períodos de descanso e regras claras sobre horários e comunicação.

Prevenção

A adoção de hábitos mais saudáveis pode contribuir para o bem-estar, mas a prevenção do burnout não deve ser tratada como responsabilidade exclusiva de quem trabalha. No âmbito individual, é importante respeitar os intervalos, reservar tempo para atividades pessoais, manter uma rotina de descanso e buscar ajuda quando o sofrimento persiste.

As empresas têm papel fundamental na prevenção de riscos psicossociais. Isso envolve avaliar a carga de trabalho, estabelecer metas compatíveis com os recursos disponíveis, prevenir situações de assédio, promover relações respeitosas e evitar a expectativa de disponibilidade permanente. Ao finalizar, Dr. Rolando, que em breve participará de uma série sobre o tema no canal da AAPI no YouTube, lembrou: “Se o esgotamento se torna persistente, afeta o sono, prejudica as relações pessoais ou dificulta o desempenho das atividades diárias, é importante procurar avaliação profissional”.

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